Corínthians também é vítima das urnas eletrônicas

Vergonha no Corinthians

Para mim bastava as eleições Brasil afora aparelhadas com as tais urnas eletrônicas, certeza de vitória eterna para a situação petista. Mas utilizá-las nas eleições do Corinthians é insuportável.

Infelizmente o Corinthians, meu time de coração, não existe mais, O que há agora é um arremedo.

Portanto estou encerrando esse blog. Deixarei online mais algum tempo (até o final de fevereiro de 2015) para consultas e então ele será descontinuado.

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Mourinho chato? Português é adorado por brasileiros e o segredo é a bola

José MourinhoJosé Mourinho

Clonado sem autorização de Guilherme Palenzuela
Do UOL, em São Paulo

Uma semana com dois jogos faz com que a maioria dos treinadores de futebol no Brasil monte uma programação com dois treinos regenerativos, dois treinos táticos e apenas um dia para treino técnico, onde predomina a bola. Há cenários, porém, em que essa equação do futebol é completamente ignorada e, não por coincidência, resulta em um dos melhores times do planeta: no Chelsea, do português José Mourinho, a bola treina tanto quanto os jogadores, e isso faz com que aquele que parece ser um chefe excêntrico, chato e mandão seja querido pelo elenco. E, novamente não por coincidência, principalmente pelos brasileiros.

No Chelsea de Mourinho, todo dia é dia para se jogar futebol. E futebol com bola. Uma semana com dois jogos não tem treino físico e não tira a bola do campo para a realização de atividades táticas. Quem relata tudo isso é um dos quatro representantes da seleção brasileira – e certamente o melhor deles na atual temporada – que defende o clube inglês, líder do campeonato nacional: o meia Willian, de 26 anos.

“Desde quando voltamos das férias [em julho, no início da temporada], é sempre bola. Todos os dias com bola. Então isso é muito bom. Jogador gosta sempre de estar em contato com a bola. Mesmo que seja um treino físico, mas que tenha bola. Aqui a gente não faz físico, o trabalho é expressamente com bola. Fazemos joguinhos, toques de bola”, conta Willian, de Londres, ao UOL Esporte.

O meio-campista revelado pelo Corinthians e com passagens por Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, e Anzhi, da Rússia, tem como companheiros hoje, no Chelsea, os brasileiros Felipe Luis, lateral esquerdo, Ramires, volante, Oscar, também meia, além de Diego Costa, atacante, naturalizado espanhol. Todos eles, em algum momento da carreira, vivenciaram a programação à brasileira do futebol. No Chelsea, até o regenerativo – treino aplicado aos titulares nos dias seguintes aos jogos – é diferente.

“Depois dos jogos a gente faz recuperação, dois dias com recuperação. Mas regenerativo aqui tem bobinho, alongamento, mais bobinho. Não é igual ao Brasil porque aí é uma corrida de 45 minutos e depois os jogadores vão, sei lá, para a banheira de gelo. Aqui a gente não é acostumado a isso”, completa Willian.

O programa de treinamento de Mourinho deixa o treino físico restrito à pré-temporada, mas tem outra diferença estrutural. O treino tático acontece na sala de vídeos, e não dentro do campo. Na maioria das equipes de ponta do Brasil, tal cenário é impensável.

“Taticamente a gente trabalha mais fora de campo do que propriamente dentro de campo. A gente estuda mais adversários em vídeos, ele orienta taticamente fora de campo. Ele estuda bem os adversários, entende de futebol, explica bem as coisas. O jogador entra em campo sabendo tudo que tem que fazer”, conta o meia, com 26 jogos na temporada – 18 como titular.

Tais distinções são usadas por Willian como argumentos para explicar por que José Mourinho é um treinador vitorioso. “Acho que é o dia a dia, aquilo que ele pede para nós. A maneira que a gente estuda o adversário… São várias coisas que a gente trabalha, dentro e fora de campo, vendo vídeos, recebendo orientações. Vem dando certo, o time vem jogando bem”. Neste sábado o Chelsea enfrenta o Newcastle pelo Campeonato Inglês e joga em casa, no Stamford Bridge, pela manutenção da liderança. O Manchester City, atual campeão, tem o mesmo número de pontos e vai a Liverpool para enfrentar o Everton.

Aos 51 anos, José Mourinho já venceu duas vezes a Liga dos Campeões (2004, com o Porto, e 2010, com a Inter), e tem sete troféus de campeonatos nacionais em Portugal, Inglaterra, Itália e Espanha, além de outras taças. Contemporâneo e concorrente direto do Pep Guardiola, ele tem uma diferença extrema em relação ao espanhol: pouco se relaciona individualmente com cada jogador e prioriza conversas coletivas.

Segundo Willian, Mourinho é “controlador”, mas isso não é um defeito. Tem o grupo na mão porque tenta fazer parecer que todos recebem o mesmo tratamento, sem prioridades. Tem paciência para explicar e corrigir, mas não fará visitas ao quarto de um jogador na véspera de uma partida para passar orientações táticas específicas.

Chefiando aquele que já é um dos melhores times do Chelsea de todos os tempos, Mourinho agora precisa repetir o que fez entre 2004 e 2007 no clube inglês, e vencer o Campeonato Inglês, para que isso se confirme. Para Willian, esta equipe, que tem o espanhol Cesc Fàbregas e o belga Eden Hazard em fases excepcionais, tem tudo para se confirmar como uma das melhores do planeta. Ao lado da bola – sempre – e do técnico português, o meia se vê em plena evolução.

“Pela temporada que a gente vem fazendo, é para estar entre os melhores, sem dúvida. Mas tem que continuar nesse mesmo caminho, com esse mesmo número de vitórias”, diz. “Estou muito feliz, de quando cheguei ao Chelsea até hoje, evoluí aprendendo bastante com o Mourinho, daquilo que ele quer e pede. Sem dúvida a gente aprende no dia a dia. Venho evoluindo bastante, a cada jogo. Uma coisa que eu me cobro bastante é fazer mais gols. Dentro de campo venho contribuindo, venho bem. Espero que eu possa crescer mais, jogar cada vez melhor”, conclui.

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Não é só no campo que o Corinthians deixa a desejar. O programa Sócio Torcedor do Corinthians é pífio, também, se olharmos pelo potencial que o time dispõe com sua torcida milionária. Fui o primeiro, se não me engano, a encaminhar uma prévia resumida de um projeto para programa Sócio Torcedor ao Clube. Há uma cópia desse material no blog Corinthians Yes. Um dos principais diretores à época tomou conhecimento e o recomendou, mas o pessoal preferiu fazer a coisa de forma amadora e incumbiu o diretor de marketing, que não entende nada desse método como ficou claro, de desenvolvê-lo. Uma empresa foi aberta com essa finalidade e o resultado é esse. Equipes de futebol com muito menos potencial estão andando à frente e outras logo ultrapassarão os resultados medíocres do programa corinthiano. Esse resultado abaixo da crítica atinge diretamente o time de futebol, isso sem falar no resto, começando pelo clube que está se deteriorando sem providências à vista. Talvez esse seja mais um engano dos militantes petistas que têm usado o Timão como curral eleitoreiro. Que vergonha Timão!

Palmeiras chega a 60 mil sócios-torcedores e pode ultrapassar Timão

O programa de sócio-torcedor do Palmeiras atingiu a marca de 60.005 na manhã desta segunda-feira. Confirmando desta maneira o grande crescimento do Avanti, nome do projeto palmeirense (neste mês de novembro, 10 mil torcedores se associaram). De acordo com o Torcedômetro, o ranking do Movimento por um Futebol Melhor, com este número de associados o Verdão ocupa agora a quinta colocação no Brasil.

Se mantiver este ritmo de novas adesões ao seu programa de sócio-torcedor, o Palmeiras poderá superar nos próximos dias o maior rival, o Corinthians, que é o quarto colocado no ranking, com 63.618 sócios. O Cruzeiro, em terceiro com 66.204, também já vê sua posição ameaçada pelo crescimento palmeirense. O líder do Torcedômetro é o Internacional, que tem 125.713. O Grêmio é o segundo, com 80.013.

No ranking dos sócios torcedores, o Palmeiras foi o clube que mais ganhou adesões em 2014. Ao todo, 24.546 se associaram ao Avanti neste ano. Na sequência vem o Corinthians que ganhou 20.167 novos sócios.

O sócio-torcedor do Palmeiras está ainda entre os que mais obtiveram descontos dentro do Movimento por um Futebol Melhor. Desde o lançamento do programa, em janeiro de 2013, os associados acumulam R$ 2,1 milhões em descontos nas centenas de produtos oferecidos pelas empresas que fazem parte do Movimento: Ambev, Unilever, Pepsico, Danone, Burger King, Netshoes, SKY, TIM, BIC, Raízen, Editora Abril, Multiplus e Opte+.

São Paulo é o estado com o maior número de sócios-torcedores com mais de 240 mil, contra 213 mil no Rio Grande do Sul e 100 mil, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.

Fonte: MSN Esportes

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Com 103 mil sócios, Inter fatura R$ 39 milhões e se ‘liberta’ da Globo

Mais uma prova que põe em dúvida o “Fiel Torcedor” do Corinthians. Nem em sonho o Inter poderia arrecadar mais via sócios torcedores do que o Timão. Mas é o que acontece.

Divulgação

Os sócio-torcedores devem fazer 'revolução' nas contas coloradas em 2015
Os sócio-torcedores devem fazer ‘revolução’ nas contas coloradas em 2015

Na perseguição ao Cruzeiro pelo título brasileiro, o Inter conseguiu um feito inédito: os seus sócios já asseguram ao clube uma receita maior do que a arrecadada com cotas de TV. Até o último mês de agosto, a equipe havia conseguido R$ 39 milhões com seus associados contra R$ 37 milhões em direitos de transmissão pagos pela Globo. Os dados foram apresentados pela diretoria colorada na última semana, em reunião no Conselho Deliberativo.

Atualmente, o time tem 103.900 mil sócios-torcedores em sua base.

Eles garantem hoje uma verba mensal de cerca de R$ 5 milhões. Esse cenário ainda não está consolidado, mas deverá virar realidade a partir do ano que vem, com o reajuste nos planos, a abertura de novas áreas para exploração no Beira-Rio e a expectativa pela vaga na Libertadores.

“No balanço que apresentamos até agosto, o faturamento com sócios já era superior ao da TV. Até o final da temporada, a projeção que fazemos é de um lucro com o programa em torno de R$ 60 milhões, um pouquinho menor que a televisão, que ficaria em cerca de R$ 70 milhões. Mantendo o quadro atual, vamos passar a ganhar R$ 7.200 milhões mensais em 2015, mas, se a vaga na Libertadores for confirmada, essa conta subirá para praticamente R$ 8 milhões com um acréscimo de 10% no número de torcedores”, explica o vice-presidente de comunicação Norberto Jacques Guimarães ao ESPN.com.br.

O dinheiro seria suficiente para bancar praticamente toda a folha salarial do clube.

O Inter se tornaria, assim, o primeiro time brasileiro a se ‘libertar’ da Globo em 2015. Principal concorrente ao título, o Cruzeiro já conseguiu superar em sua prestação de contas do ano passado a receita paga pela emissora – no entanto, a soma total incluía outros itens como bilheteria e premiações.

Em sua campanha para sair da fila que amarga desde 1979, a equipe gaúcha carrega números que ficam acima de sua média de público histórica de 17 mil torcedores no Brasileiro: D’Alessandro, Aranguiz e seus companheiros impulsionam hoje uma média de 29 mil por partida.

“É um aumento de mais de 50%”, afirma Norberto Jacques. “A gente sofreu dois anos com obras e agora temos um time que se encontra bem e um estádio confortável. Então, é todo um conjunto de fatores que favorece nesse sentido”, prossegue.

“É um acréscimo de receita que, com a classificação para a Libertadores, elevará também a renda de público e nos deixa bem tranquilos”, conclui o vice de futebol Marcelo Medeiros.

A novidade vem a calhar para os dirigentes colorados. Conforme mostrado pela reportagem, o time teve de aprovar recentemente uma suplementação orçamentária de R$ 59,3 milhões em seu Conselho Deliberativo por não cumprir a meta de redução de seus gastos prevista para 2014. A equipe enfrenta problemas também com pagamentos colocados sob suspeita, como a comissão na assinatura do contrato com a Nike, que virou objeto de uma sindicância interna. Ainda seriam necessários R$ 50 milhões em vendas para fechar as contas até dezembro.

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Sem complexo de vira-latas

Complexo de Vira-Latas

Complexo de Vira-latas

 

Por Alberto Carlos Almeida | Para o Valor

Não é fácil escrever no dia seguinte à maior derrota de nossa seleção. Mas vamos lá. Como (quase) sempre, contra a corrente: o Brasil deveria se candidatar, em breve, a sediar novamente a Copa do Mundo. O México esperou somente 16 anos para sediar duas Copas, em 1970 e 1986. Na época, havia o revezamento entre a Europa e a América Latina – a Colômbia, que seria a sede, desistira pouco tempo antes. A Alemanha esperou 32 anos para ser sede de duas Copas: 1974 e 2006. Os Estados Unidos foram sede em 1994 e perderam para o Catar a disputa de 2022. Se tivessem ganho, seriam sede de duas Copas em um intervalo de 28 anos. A França esperou 60 anos para sediar duas Copas e a Itália, 56 anos. Nós, brasileiros, habitantes do país do futebol, esperamos 64 anos para realizar duas Copas. Trata-se de um verdadeiro absurdo.

O sucesso da Copa realizada no Brasil foi enorme. Quem disse isso, para aqueles que consideram que “santo de casa não faz milagres”, foram os estrangeiros – a imprensa internacional, os jogadores das mais diversas seleções, autoridades públicas de outros países. Um dos mais interessantes depoimentos foi de Simon Kuper, em artigo originalmente publicado no prestigioso jornal de negócios “Financial Times”. Kuper é coautor de um livro sobre futebol de enorme sucesso, “Soccernomics”, e acompanha pessoalmente as Copas desde 1990. Quanto a isto, ele afirmou: “Das sete Copas do Mundo a que assisti desde 1990, esta é a melhor”.

Vale utilizar as palavras do próprio Kuper acerca dos motivos que o levaram a considerar esta a melhor Copa nos últimos 24 anos: “O primeiro elemento é o futebol ofensivo. Quando faltavam dez partidas para o final da Copa no Brasil, o número de gols marcados já havia superado o das Copas de 2006 e 2010. O segundo motivo para que a atual Copa funcione é o Brasil. Em parte, é o sol quente. Quando você passa sua primeira tarde de folga em 20 dias caminhando por Copacabana, percebe que uma praia de primeira linha deveria ser elemento compulsório em todas as futuras Copas do Mundo, da mesma forma que estádios de primeira linha”.

O mais interessante é o terceiro elemento elencado por Kuper: os brasileiros. Diz ele: “Se você vive em Paris, é uma sensação desconcertante visitar um país onde quase todo mundo é agradável. A realidade é que os brasileiros vêm me oferecendo um curso de um mês sobre como administrar a raiva”.

O Brasil é o lugar perfeito para sediar uma Copa. Quando a Alemanha sedia uma Copa, a Itália fica com inveja. Quando a França sedia uma Copa, são os britânicos que sofrem. Quando os espanhóis sediam uma Copa, os portugueses se sentem diminuídos. O Brasil está fora das disputas europeias. O Brasil é um tertius acima das disputas entre países que têm um histórico secular de disputas e conflitos.

Além disso, somos um país de imigrantes, que, por isso (mas não só), recebemos bem todos os estrangeiros. Sabemos que o solo brasileiro não tem um dono milenar, não é o solo francófilo ou germânico. Alguém que nasce em solo alemão, filho de pai estrangeiro e mãe alemã não é considerado cidadão alemão, precisa solicitar isso ao Estado quando atinge a maioridade. No Brasil, é como nos Estados Unidos: nasceu no solo brasileiro, é brasileiro. Isso tem tudo a ver com receber bem quem vem de fora. Somos feitos por pessoas que vieram de fora, não tem como os estrangeiros não gostarem de nós.

A única desvantagem, para nós, em sediar uma Copa é que provavelmente não a venceremos. Aconteceu isso em 1950, aconteceu isso agora, e de uma forma muito desagradável. Não é fácil para a seleção brasileira jogar em casa. A pressão é muito grande, somente a vitória é o resultado aceitável. Essa responsabilidade irrevogável ficou clara na disputa de pênaltis contra o Chile e no jogo contra a Alemanha. Creio que se ambas as situações tivessem acontecido fora do Brasil, o desfecho teria sido outro. Talvez tivéssemos derrotado o Chile no tempo normal, talvez até tivéssemos ganho da Alemanha, ou ao menos perdido por pouco.

Propor que o Brasil seja sede de uma nova Copa do Mundo, daqui a 24 ou 32 anos, é ir contra nosso complexo de vira-latas. É assumir que somos melhores do que os outros, não somente no futebol, mas também na arte de bem receber as pessoas e de ser bons anfitriões. Foi agora, no Brasil, que duas seleções sul-americanas chegaram a uma semifinal. A última vez que isso tinha acontecido foi em 1970, no México. O futebol mundial, graças à Fifa e também um pouco ao nosso complexo de vira-latas, que nos faz baixar a cabeça e a não reconhecer nossos méritos, está cada vez mais eurocêntrico. Há muito mais seleções europeias na Copa do Mundo do que times sul-americanos.

Vieram agora para o Brasil as seleções da Bósnia-Herzegovina e da Croácia, que sequer passaram da primeira fase. Os grandes do passado recente, Espanha e Itália, também não foram para as oitavas de final. Por outro lado, o Uruguai, que foi para a segunda fase da Copa, só conseguiu se classificar nas eliminatórias por causa da chance que teve na repescagem. É muito injusto. É óbvio que o predomínio de seleções europeias em semifinais tem a ver com a quantidade de seleções daquele continente habilitadas a ir para a Copa.

Se o Brasil e os brasileiros tivessem uma autoestima um pouco maior, poderiam se tornar líderes mundiais para uma mudança na Fifa que abrisse mais espaço para seleções sul-americanas e de outros continentes. Pode ser que, em um futuro próximo, isso seja possível graças a uma aliança entre o Brasil e os Estados Unidos. Isso irá depender do fortalecimento do futebol nos Estados Unidos, a ponto de colocar a seleção daquele país junto aos líderes mundiais. Nós, brasileiros, entramos com o país do futebol; eles, americanos, entram com uma imensa população de consumidores e, consequentemente, recursos financeiros de fazer inveja ao futebol europeu.

Lamento que a derrota para a Alemanha esteja sendo aproveitada por todo tipo de argumento oportunista, que busca no caráter nacional as razões para a tragédia. Houve quem dissesse que foi a vitória da competência sobre a malandragem. Absolutamente patético. Quem referenda esse tipo de argumento esquece que há pouco tempo, entre 1994 e 2002, estivemos em três finais de Copa do Mundo. Esquece também que vencemos cinco vezes fora de casa, o que, cá entre nós, não é para qualquer um. Está longe o dia em que seremos considerados incompetentes no futebol, e em muitos outros campos.

O Brasil avançou em inúmeras áreas, temos uma economia complexa e diversificada, um sistema financeiro forte e sadio, instituições políticas sólidas e que geram resultados concretos no que diz respeito à melhoria de vida da população. De 1994 para cá, combatemos com sucesso a inflação, o desemprego, a desigualdade de renda. Além disso tudo, e foi o que a Copa do Mundo veio mostrar para nós mesmos, somos um povo querido e amado pelos estrangeiros. Eles ficaram admirados pela nossa forma de viver e encarar as coisas.

Temos problemas como todo país tem. Mas ninguém pode dizer que estamos varrendo tais problemas para debaixo do tapete. A melhor forma de encará-los com sucesso é, antes de tudo, reconhecermos nosso sucesso. O Brasil não é o país do futuro, é o país do presente, ainda que estes dias tenham nos reservado a derrota vexaminosa para a Alemanha. Faz parte da vida, é raro, mas acontece. Como se diz em uma famosa música: levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima. Vamos, sim, nos candidatar, em breve, para sediar novamente uma Copa do Mundo. E vamos acreditar que venceremos. Afinal, nada funciona mais do que o “Vai Brasil!” O Brasil sempre vai!”

Agradeço a meu filho Gabriel por ter me incentivado a escrever este artigo e também por ter sistematizado os dados que mostram o predomínio europeu nas Copas do Mundo da Fifa.

Alberto Carlos Almeida, sociólogo, é diretor do Instituto Análise e autor de “A Cabeça do Brasileiro”.

alberto.almeida@institutoanalise.com

www.twitter.com/albertoalmeida

Contribuiu: Edson Cavalcante

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Solução portuguesa com certeza

OOpouoo

Oportunidade não se perde. A cafajestada da CBF e seus tribunais bairristas contra a Portuguesa de Desportos, com um “Q” de provocação específica aos times paulistas é, a meu ver, uma grande oportunidade para o futebol paulista mostrar sua força.

Isso me lembra a velha história, se verídica ou não, ninguém sabe, acho, dando conta de um incidente acontecido na Rua Augusta quando um cidadão ultrapassou um carro pela contramão e forçou passagem tomando a frente de outro que descia a rua sossegado. Diante da manobra, o motorista ultrapassado teria reclamado e recebido a resposta: “o mundo é dos espertos”. A isso o reclamante decidiu abrir boa distância do espertalhão e com o pé na tabua abalroar a traseira do carro do infeliz destruindo-a totalmente, com prejuízo do próprio auto, evidentemente. Então desceu do carro, foi até a janela do esperto perplexo e declarou: “você está errado, o mundo não é dos espertos, é dos ricos!” Algo assim.

Se os cabras dirigentes dos clubes paulistas, começando com Corinthians, cujo ex-presidente almeja o cargo do nosso amigo José Maria Marin (atual presidente da CBF), com quem joguei bola nos campos saudosos do Clube Indiano, inocentemente, sem imaginar em quem ele se transformaria quarenta anos depois, e seguido pelos outros presidentes do São Paulo, Palmeiras, Santos e todos os times paulistas disputantes das séries profissionais de nosso futebol, dariam um simples ultimato à CBF: ou a Portuguesa disputa o próximo campeonato brasileiro na Série A, como deve, ou nenhum dos times paulistas participará da competição gerida pela confederação brasileira de futebol, de hoje em diante.

Tenho a leve impressão que o campeonato brasileiro sem os times paulistas estaria fadado a um prejuízo histórico. Digo mais, se os clubes do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, talvez do Mato Grosso, Minas Gerais, Espirito Santo, Bahia e Pernambuco engrossassem esse caldo, à CBF restaria organizar o Campeonato Carioca, isso se os clubes cariocas, exceto Fluminense- Unimed, não preferissem o lado dissidente, também.

Por outro lado, um campeonato paulista com turno e returno, jogos só nos fins de semana e pontos corridos, disputado em paralelo com o brasileiro, teria chances enormes de ser um grande sucesso. Claro, a Globo e Band ficariam com a CBF com sua habitual conivência a tudo que não interessa ao nosso país, então o SBT poderia contratar o narrador Nivaldo Prietro e um comentarista sério para transmitir os jogos principais pela TV, alcançando grande sucesso na venda dos jogos via TV a Cabo, ou algo parecido e/ou até mais inteligente. Inclusive isso possibilitaria reavivar muitos times do interior paulista que foram destruídos pela incompetência e/ou maldade dos parciais dirigentes da CBF e sua arrogância burra.

Caso a Fifa resolvesse apoiar a CBF mantendo a Portuguesa fora, sob a ameaça de cancelar os jogos da Copa 2014 em São Paulo, todos nós poderíamos ir às ruas para agradecer esse gesto que só nos traria vantagem, além de nos encher de orgulho e brio. Se jogadores paulistas não fossem convocados para a seleção da CBF, tudo bem, teríamos muitas opções para torcer nesta Copa, tais como: Portugal, Espanha, Itália, França, Alemanha e Holanda, afinal, quase todos nós descendemos de alguma dessas etnias, por aqui.

Basta coragem, coisa inexistente no Marin. Ele é mais do tipo covarde e ávido por dinheiro, não importam muito os meios. Como costuma dizer nosso ex-presidente, “os fim justifica os meio”. Uma coisa é certa, se desejamos alcançar alguma justiça em nosso país, os tribunais não são o caminho mais indicado e isso nunca ficou tão patente em nossa história como neste ano de 2013.

Como diz o cara do carro, o mundo é dos ricos, e isso há de sobra por aqui, a começar pelos nossos times de futebol, se não me engano.